quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Contribuições de Frege


Sentido e referência

  • Para ele, o estudo científico do significado só é possível se diferenciarmos seus vários aspectos para retermos apenas os que são objetivos.
  • Exclui da Semântica o estudo das representações individuais que uma dada palavra pode provocar.
  • Ao ouvir o nome próprio estrela da manhã, formo uma idéia, uma representação só minha, uma vez que ela depende de minha experiência subjetiva de mundo.Tal estudo cabe à Psicologia.
  • À semântica cabe o estudo dos aspectos objetivos do significado, i. é, aqueles abertos à inspeção pública.
  • Podemos ter representações distintas de estrela, mas compartilhamos o sentido de estrela , já que concordamos quando alguém diz estrela apontando um certo objeto no céu.
  • O nome estrela da manhã é o que nos permite alcançar, falar sobre um objeto no mundo da razão pública, o planeta Vênus, sua referência.
  • O sentido é o que nos permite chegar a uma referência .
  • A referência de uma expressão é a entidade (s), o objeto ou o indivíduo que ela aponta no mundo .
  • No caso de uma sentença, a referência é seu valor de verdade.
    1) A estrela da manhã é a estrela da manhã. 2) A estrela da manhã é a estrela da tarde.
  • Só conseguimos explicar a diferença entre as sentenças 1 e 2 se distinguirmos sentido e referência.
  • Embora elas tenham a mesma referência, elas expressam pensamentos diferentes.
  • A sentença 2 é informativa, aprendemos alguma coisa com ela. Sua veracidade não pode ser apreendida a priori. Ela precisa ser verificada no mundo.
  • Diferentemente, a sentença 1 nos diz uma obviedade de que uma estrela é igual a ela mesma. Essa é uma verdade estabelecida independentemente dos fatos do mundo.
  • Todos nós já experimentamos a sensação de entusiasmo quando descobrimos que 3+3 é o mesmo que 10-4.
  • Ao tomarmos consciência das igualdades, descobrimos dois caminhos, dois sentidos, para uma mesma referência pode ser recuperada por meio de vários sentidos.
  • Todos nós já experimentamos a sensação de entusiasmo quando descobrimos que 3+3 é o mesmo que 10-4.
  • Ao tomarmos consciência das igualdades, descobrimos dois caminhos, dois sentidos, para uma mesma referência pode ser recuperada por meio de vários sentidos.
  • Frege propõe uma analogia com um telescópio apontado para a lua para estabelecer a diferença entre sentido e referência.
  • A lua é referência, sua existência independe daquele ou daquela que a observa.
  • Ela pode, no entanto, ser olhada a partir de diferentes perspectivas.
  • Assim, o sentido permite alcançarmos um objeto no mundo, mas é o objeto no mundo que nos permite formular um juízo de valor, i.é, que nos permite avaliar se o que dizemos é falso ou verdadeiro.
  • A linguagem é apenas um instrumento que nos permite alcançar aquilo que há, a verdade ou a falsidade.
    Intervalo I
  • Se você entendeu bem essa história de sentido e referência, diga qual a referência de: a capital da França, Paris, Paris é a capital da França.
  • Para Frege, um nome próprio deve ter sentido e referência.
  • Florianópolis e a capital de Santa Catarina são dois nomes próprios, porque têm sentido e nos permitem falar sobre um objeto no mundo, a cidade de Florianópolis.
  • Os nomes próprios são saturados porque eles expressam um pensamento completo e podemos, por meio deles, identificar uma referência.
  • Os nomes próprios são saturados porque eles expressam um pensamento completo e podemos, por meio deles, identificar uma referência.
  • Há, no entanto, expressões incompletas, que não os possibilitam chegar a uma referência, porque não expressam um pensamento completo.
  • É o caso da expressão ser capital de . Percebemos que ela é recorrente em inúmeras sentenças :

3) São Paulo é a capital de São Paulo.
4) São Paulo é a capital de Santa Catarina.
5) Florianópolis é a capital de Santa Catarina.

  • O que se repete é a expressão ser capital de, uma expressão insaturada.
  • Para expressar um pensamento completo, a expressão deve ser preenchida em dois lugares: um que antecede, outro que a sucede.
  • A expressão insaturada chama-se predicado.
  • Predicado ser capital de é um predicado de dois lugares, porque há dois espaços a serem preenchidos por argumentos: _______________ ser capital _________________.
  • Podemos transformá-lo em um predicado de um lugar: ______________ ser a capital de São Paulo.
  • Uma expressão insaturada combinada com um argumento gera uma expressão completa, um nome próprio, que tem como referência um valor de verdade, isto é, o verdadeiro e o falso.
  • E 4, o predicado ser capital de relacionado com São Paulo, gera o nome próprio São Paulo é a capital de São Paulo, que tem sentido, expressa um pensamento, e tem uma referência, a verdade.
  • Todos os meninos amam uma professora.
  • Temos a presença de dois quantificadores : o universal (todos) e o existencial (uma).
  • Essa sentença comporta duas interpretações.
  • Para todo aluno há pelo menos uma profª.que ele ama.
  • Quantificador universal (todo) antecede o existencial (uma)
  • Há uma única profª que todos os alunos amam.
  • Existencial precede o universal.
  • A X A
    B Y B X
    C Z C

Leitura distribuitiva Leitura não-distribuitiva

  • O modo como combinamos operadores, e os quantificadores são um tipo de operador, é importante porque sua combinação explica um tipo de ambigüidade, a ambigüidade semântica.
    João não convidou só a Maria.
    Ou João só não convidou a Maria, ou o João não só convidou a Maria, mas também outras pessoas.
    Diferença explicada pelos operadores não e só.
    Ou o não atua sobre o só, gerando não só.
    Ou o atua sobre o não , gerando só não.
  • Essa operação em que um operador atua sobre um certo domínio tem sido denominada de escopo.
  • Na primeira leitura, o operador tem escopo sobre a negação.
  • Na segunda, é a negação que tem escopo sobre o .

Intervalo II

  • Considere as seguintes sentenças. Recorte-as segundo os conceitos de predicado de Frege:
    a. João é casado com Maria.
    b. Maria é brasileira.
    C. Adriano é jogador de futebol.
  • A partir dos conceitos de quantificador universal e existencial e da noção de escopo, descreva as sentenças abaixo:
    a. Todo homem é casado com alguma mulher.
    b. Um homem é casado com todas as mulheres.
    c. A Maria não dançou só com Pedro.

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