Sentido e referência
- Para ele, o estudo científico do significado só é possível se diferenciarmos seus vários aspectos para retermos apenas os que são objetivos.
- Exclui da Semântica o estudo das representações individuais que uma dada palavra pode provocar.
- Ao ouvir o nome próprio estrela da manhã, formo uma idéia, uma representação só minha, uma vez que ela depende de minha experiência subjetiva de mundo.Tal estudo cabe à Psicologia.
- À semântica cabe o estudo dos aspectos objetivos do significado, i. é, aqueles abertos à inspeção pública.
- Podemos ter representações distintas de estrela, mas compartilhamos o sentido de estrela , já que concordamos quando alguém diz estrela apontando um certo objeto no céu.
- O nome estrela da manhã é o que nos permite alcançar, falar sobre um objeto no mundo da razão pública, o planeta Vênus, sua referência.
- O sentido é o que nos permite chegar a uma referência .
- A referência de uma expressão é a entidade (s), o objeto ou o indivíduo que ela aponta no mundo .
- No caso de uma sentença, a referência é seu valor de verdade.
1) A estrela da manhã é a estrela da manhã. 2) A estrela da manhã é a estrela da tarde. - Só conseguimos explicar a diferença entre as sentenças 1 e 2 se distinguirmos sentido e referência.
- Embora elas tenham a mesma referência, elas expressam pensamentos diferentes.
- A sentença 2 é informativa, aprendemos alguma coisa com ela. Sua veracidade não pode ser apreendida a priori. Ela precisa ser verificada no mundo.
- Diferentemente, a sentença 1 nos diz uma obviedade de que uma estrela é igual a ela mesma. Essa é uma verdade estabelecida independentemente dos fatos do mundo.
- Todos nós já experimentamos a sensação de entusiasmo quando descobrimos que 3+3 é o mesmo que 10-4.
- Ao tomarmos consciência das igualdades, descobrimos dois caminhos, dois sentidos, para uma mesma referência pode ser recuperada por meio de vários sentidos.
- Todos nós já experimentamos a sensação de entusiasmo quando descobrimos que 3+3 é o mesmo que 10-4.
- Ao tomarmos consciência das igualdades, descobrimos dois caminhos, dois sentidos, para uma mesma referência pode ser recuperada por meio de vários sentidos.
- Frege propõe uma analogia com um telescópio apontado para a lua para estabelecer a diferença entre sentido e referência.
- A lua é referência, sua existência independe daquele ou daquela que a observa.
- Ela pode, no entanto, ser olhada a partir de diferentes perspectivas.
- Assim, o sentido permite alcançarmos um objeto no mundo, mas é o objeto no mundo que nos permite formular um juízo de valor, i.é, que nos permite avaliar se o que dizemos é falso ou verdadeiro.
- A linguagem é apenas um instrumento que nos permite alcançar aquilo que há, a verdade ou a falsidade.
Intervalo I - Se você entendeu bem essa história de sentido e referência, diga qual a referência de: a capital da França, Paris, Paris é a capital da França.
- Para Frege, um nome próprio deve ter sentido e referência.
- Florianópolis e a capital de Santa Catarina são dois nomes próprios, porque têm sentido e nos permitem falar sobre um objeto no mundo, a cidade de Florianópolis.
- Os nomes próprios são saturados porque eles expressam um pensamento completo e podemos, por meio deles, identificar uma referência.
- Os nomes próprios são saturados porque eles expressam um pensamento completo e podemos, por meio deles, identificar uma referência.
- Há, no entanto, expressões incompletas, que não os possibilitam chegar a uma referência, porque não expressam um pensamento completo.
- É o caso da expressão ser capital de . Percebemos que ela é recorrente em inúmeras sentenças :
3) São Paulo é a capital de São Paulo.
4) São Paulo é a capital de Santa Catarina.
5) Florianópolis é a capital de Santa Catarina.
- O que se repete é a expressão ser capital de, uma expressão insaturada.
- Para expressar um pensamento completo, a expressão deve ser preenchida em dois lugares: um que antecede, outro que a sucede.
- A expressão insaturada chama-se predicado.
- Predicado ser capital de é um predicado de dois lugares, porque há dois espaços a serem preenchidos por argumentos: _______________ ser capital _________________.
- Podemos transformá-lo em um predicado de um lugar: ______________ ser a capital de São Paulo.
- Uma expressão insaturada combinada com um argumento gera uma expressão completa, um nome próprio, que tem como referência um valor de verdade, isto é, o verdadeiro e o falso.
- E 4, o predicado ser capital de relacionado com São Paulo, gera o nome próprio São Paulo é a capital de São Paulo, que tem sentido, expressa um pensamento, e tem uma referência, a verdade.
- Todos os meninos amam uma professora.
- Temos a presença de dois quantificadores : o universal (todos) e o existencial (uma).
- Essa sentença comporta duas interpretações.
- Para todo aluno há pelo menos uma profª.que ele ama.
- Quantificador universal (todo) antecede o existencial (uma)
- Há uma única profª que todos os alunos amam.
- Existencial precede o universal.
- A X A
B Y B X
C Z C
Leitura distribuitiva Leitura não-distribuitiva
- O modo como combinamos operadores, e os quantificadores são um tipo de operador, é importante porque sua combinação explica um tipo de ambigüidade, a ambigüidade semântica.
João não convidou só a Maria.
Ou João só não convidou a Maria, ou o João não só convidou a Maria, mas também outras pessoas.
Diferença explicada pelos operadores não e só.
Ou o não atua sobre o só, gerando não só.
Ou o só atua sobre o não , gerando só não. - Essa operação em que um operador atua sobre um certo domínio tem sido denominada de escopo.
- Na primeira leitura, o operador só tem escopo sobre a negação.
- Na segunda, é a negação que tem escopo sobre o só.
Intervalo II
- Considere as seguintes sentenças. Recorte-as segundo os conceitos de predicado de Frege:
a. João é casado com Maria.
b. Maria é brasileira.
C. Adriano é jogador de futebol. - A partir dos conceitos de quantificador universal e existencial e da noção de escopo, descreva as sentenças abaixo:
a. Todo homem é casado com alguma mulher.
b. Um homem é casado com todas as mulheres.
c. A Maria não dançou só com Pedro.

Muito bom, obrigada!
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